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Novos tempos para o Pantera

Novos tempos para o Pantera

Autora: Karen Mazzeu
Revisora: Luiza Del Nery Forghieri

Recentemente nos deparamos com uma novidade que transformou, em grande escala, o Botafogo Futebol Clube. Agora, além de ser considerado uma das potências futebolísticas do interior de São Paulo, o clube passará a ser gerido como uma Sociedade Anônima, ou seja, como uma empresa, o que não deve ser entendido como uma terceirização, mas uma gestão conjunta. Tal fato traduz-se, sem dúvidas, em repaginação, e enaltece o clube ainda mais frente ao cenário nacional.
Nos dias de hoje uma sociedade anônima no âmbito desportivo – especialmente no ramo do futebol – faz-se um grande tema de discussão e implicações. A ideia nascera em 1998 juntamente à Lei Pelé, Lei nº 9.615, que tentou embutir a profissionalização dos clubes às forças, porém se viu frustrada por uma modificação legislativa posterior, passando a ser uma faculdade que logo foi esquecida. Essa caracterização buscava entrelaçar a paixão das pessoas pelo futebol com a necessidade de se buscar renda através de negócios para que melhorias pudessem ser feitas em prol do time e de seu patrimônio.

Conceitualmente, sociedade anônima é basicamente uma forma de se criar uma empresa, por isso sociedade empresária, a qual passar a ter seu capital dividido em partes iguais, chamadas por sua vez de ações, e atribui a seus sócios ou acionistas responsabilidade limitada ao valor pago por elas, como ensina Estefânia Rossignoli, estudiosa da área, e o artigo 1º da Lei das S/A (Lei nº 6.404/1976). Engloba, portanto, investimentos significativos e liberdade aos acionistas, pois eles podem vender suas partes. Além disso, é interessante observar que nascem através de um estatuto, e não contrato, como mais comumente aconteceria em nosso cotidiano.

A partir disso, no dia 14 de maio, por meio da aprovação de seu Conselho Deliberativo, o Botafogo Futebol Clube alcançou um patamar mais alto na história dos clubes brasileiros de futebol. Esse passo no ramo desportivo foi o que chamamos de golaço, momento em que o Pantera olhou para o gol avistando uma oportunidade única, enxergou o goleiro como um obstáculo e o driblou, marcando gol nas diversas melhorias que hão de vir, como o crescimento da renda, o reconhecimento nacional e a proteção ao patrimônio do próprio clube, comemorando futuros avanços que tornarão o clube em si, o time, o estádio Santa Cruz e a relação clube-torcedor, como dizemos, ímpar.

O importante para nós, torcedores, é entender o que mudou no clube, já que somos parte dele e carregamos um sentimento diferente em relação ao que tudo isso significa para o futebol “de dentro de campo”, não pensando nele como um meio de empreender.

Assim sendo, destacamos que o Pantera passou a ter suas ações divididas entre os sócios da seguinte forma: 60% ficarão nas mãos do próprio Botafogo Futebol Clube e 40% serão de propriedade da Trexx, empresa que possui como principal executivo o investidor Adalberto Baptista. As ambições, portanto, têm gerado muito entusiasmo, visto que os investimentos já podem ser sentidos pelo clube, uma vez visto, por exemplo, o projeto de construção de um centro de treinamento moderno e de propriedade do clube.

Além disso, a renda que entrará nos caixas do Botafogo será direcionada, a princípio, a melhorias no próprio Estádio Santa Cruz, que contará com reforma parcial e setorização que, segundo a intenção dos acionistas, chamará a atenção para eventos de grande porte, sendo nova fonte de renda. No tocante à administração, o clube passará a contar com nova estrutura organizacional, o que levará a sua consolidação frente aos demais times brasileiros pela sustentabilidade financeira que virá a ter.

Não podemos nos esquecer, no entanto, que os efeitos dessa mudança vêm a longo prazo. O prazo para a estabilização do time frente ao cenário nacional não foi estimado, mas é certo que o clube que se ver entre os 30 melhores times do país, tendo em vista que é preciso cautela para construir um futebol, dentro e fora de campo, de alto nível por inúmeras temporadas.

O Pantera, assim, rejuvenesceu. Com a profissionalização e as oportunidades que uma sociedade empresária pode oferecer, o clube só tem a crescer. O amadorismo foi deixado para escanteio e um novo tempo surgiu, no qual nosso time mostrará sua grandeza, evidenciando a potência do futebol interiorano através dos negócios, idealizando uma nova cultura para o esporte.

O Grupo de Estudos de Direito Desportivo da UNESP Franca “GEDiDe” foi concebido no ano de 2015 e desde então trabalha no fomento do Direito Desportivo. É parceiro do Botafogo Futebol Clube desde 2016, onde atua em conjunto com o Departamento Jurídico do Clube. Para saber mais sobre nosso trabalho acesse a página oficial do Grupo: https://www.facebook.com/gedideunesp/

Fontes:

Conselho aprova estatuto que transforma o futebol do Botafogo em Sociedade Anônima


https://epoca.globo.com/esporte/epoca-esporte-clube/noticia/2017/11/futebol-s-por-que-os-clubes-brasileiros-insistem-em-ignorar-o-mercado-financeiro.html
http://m.lance.com.br/figueirense/adota-modelo-gestao-raro-brasil-comeca-colher-frutos-nao-interferimos-futebol.html
https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2018/05/clube-startup-e-clube-empresa-transformam-futebol-em-negocio-e-se-enfrentam-no-brasileirao.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Exm/2002/35-MET-02.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm
ROSSIGNOLI, Estefânia. Coleção sinopses para concursos: direito empresarial. 4. ed. Salvador: Juspodvm, 2015.

ELENCO

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